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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Deus: Revelação e pacto com o povo.


Por: Israel Boniek Gonçalves
Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1, 9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina.

O termo “testamento” traduzido do grego “diathéke”, expressa pacto, aliança e é o único indicativo que Deus ofereceu ao homem a iniciativa de se relacionar com Ele e de se fazer conhecer, fato este que depende inteiramente de Deus e não do homem, ou seja, a manifestação de Deus ao homem se dá por Sua vontade, é Deus quem provê os meios para que o homem possa buscá-lo e buscando-o o encontrar, Frente a isso, no contrário o que seria do homem, e o que poderia ele fazer para contatuar com o Criador? Em Gênesis cap. 9, 9ss após o dilúvio, Deus diz a Noé e a seus filhos: “Eis que estabeleço minha aliança convosco e com vossos descendentes depois de vós e com todos os seres animados que estão convosco”. Em Êxodo 24, 3-8, lemos uma significativa passagem relativa a uma aliança sináitica entre Deus e Israel que durou até Cristo. No profeta Jeremias 31,31ss, temos a promessa de uma nova aliança (aquela que seria inaugurada por Cristo) “Eis que dias virão – oráculo de Javé - em que selarei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito – minha aliança que eles mesmos romperam, embora eu fosse o seu Senhor, não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei coma casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor. Eu porei minha lei no seu seio e a escreverei no seu coração; então eu serei seu Deus e eles serão o meu povo. Não ensinarás jamais cada ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhecei a Javé, Porque todos me conhecerão, dos menores aos maiores – oráculo de Javé, porque vou perdoar a sua culpa e dos seus pecados jamais me lembrarei”. E o autor da Carta aos Hebreus 9, 11-22 assim explica o sentido do novo “testamento”e da nova “aliança” que é sancionada com a vinda de Cristo: “Cristo, porém, veio como sumo sacerdote dos bens vindouros. Ele atravessou uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não pertence a esta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergido sobre os contaminados, os santificam purificando sua carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo. Por isso mesmo, Ele é o Mediador da nova aliança, afim de que intervindo a morte para a remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança àqueles que tem sido chamados. Porque, onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador; pois um testamento só é confirmado no caso de mortos; visto que de maneira nenhuma tem força de lei enquanto vive o testador. Pelo que nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue; porque, havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei a todo o povo, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água e lã tinta de escarlate, hissopo, e aspergiu o próprio livro e todo o povo dizendo: Este é o sangue da aliança que Deus vos ordenou. Em seguida ele aspergiu com o sangue a tenda e todos os utensílios do culto. Segundo a lei, quase todas as coisas purificam com sangue; e sem efusão de sangue não há remissão”. E no evangelho segundo Mateus 26, 27-28, essas palavras são postas na boca do próprio Cristo: “Depois, tomou o cálice e dando graças, deu-lhe dizendo: Bebei dele todos; pois isso é o meu sangue, o sangue da aliança (diathéke), derramado em favor de muitos para a remissão dos pecados”.

Estamos acostumados a nos preocupar apenas com a parte literal do conteúdo, ou seja, sua informação direta, e a sua transmissão letral de conhecimento imediato. Porém a palavra de Deus vai além do conteúdo filológico e lingüístico. Ela está exposta no sentido global do texto, que depende da “forma” em que o texto é apresentado, e mais do que isso, para melhor compreensão da mesma temos a certeza de que o seu discernimento deve partir do pressuposto que a mesma é artigo de fé, sendo que por um lado temos a forma e a apresentação do texto bíblico e do outro lado temos o leitor, o receptor da revelação. Nesta visão, temos como ponto chave desta dualidade a ação da vontade de Deus e é em Jesus, o Logus universal, o Verbo divino encarnado, conforme explicita o apóstolo João no cap. 1,1 afirmando que o verbo era Deus: “kai Theos en ho Logus”, que Deus nos demonstra e nos concede a graça do entendimento e acesso ao “Pai”, que é Deus, sede da sabedoria e resposta a todas as nossas indagações.

Por isso, é necessário que os valores escolhidos e procurados na vida sejam verdadeiros, porque só estes é que podem aperfeiçoar a pessoa como um todo, realizando em sua natureza (humana) a vontade Daquele nos fez a Sua imagem e semelhança. Não é fechando-se em si mesmo que o homem encontra esta verdade, mas abrindo-se para recebê-la mesmo de dimensões que o transcendem. Esta é uma condição necessária para que cada um se torne ele mesmo e cresça como pessoa adulta e madura, no amor, na fé e em Cristo Jesus.

Prof. Israel Boniek Gonçalves
Diretor Pedagógico FAEST


sexta-feira, 1 de maio de 2009

MULHERES DE FÉ

Por: Angela Cristina Hammann

No contexto de ambigüidade social e cultural em que vivemos, o papel da mulher cristã torna-se cada dia mais relevante para a sociedade. Outrora, centralizado apenas no lar e no bem estar da família, hoje, a influência da mulher ampliou-se para todas as esferas da sociedade.
Como seguidora da Palavra da Verdade, a mulher cristã, é desafiada a vivenciar uma vida de qualidade, na família, na igreja e na sociedade.


A família é a base da sociedade e representa uma das áreas que mais precisa de atenção e cuidado. A presença de Cristo deve ser cultivada na vida de todos os membros e isto demanda responsabilidade e educação. A Bíblia está repleta de histórias de mulheres que souberam educar seus filhos no conhecimento e reverência da Palavra de Deus (Ana – I Sm 1:11); (Joquebede – Ex 2:9); (Eunice – II Tm 1:5).

A igreja é uma instituição organizada por ministérios e serviços, onde a mulher cristã pode desempenhar suas habilidades e dons para o crescimento do reino de Deus. Alguns destes ministérios destacam-se por sua importância social, como a hospitalidade, a beneficência, o aconselhamento, a evangelização e a oração. A Bíblia menciona ainda, histórias de trabalho e auxílio, especialmente no início da igreja (Rm 16) e o exemplo destas mulheres tem fundamentado muitas ações na igreja da atualidade.

Na história da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Brasil, um trabalho de oração, denominado “Círculo de Oração” tem sido um marco de mudanças e transformações. Este trabalho foi fundado por Albertina Bezerra Barreto, no dia seis de março de 1942, no bairro da casa amarela, em Recife. O propósito inicial era fazer um trabalho de oração buscando a cura da filha, porém o trabalho passou a ser conhecido cada dia mais e a cada semana aumentava o número de pessoas na congregação, ampliando-se de tal forma, que hoje este projeto é conhecido praticamente em todas as igrejas evangélicas. Os propósitos de oração, de apelo em favor dos necessitados, aflitos, lideranças, missionários e lares ainda continuam, e a fidelidade destas mulheres de fé tem-se traduzido em muitos milagres, curas e confiança do Deus que tudo pode.

Na sociedade pós-moderna, as escolhas das prioridades e a administração do tempo é o que marca uma vida bem sucedida. Ao papel de mãe e esposa são adicionadas outras funções, como o de amiga, filha e profissional. Esta nova condição não é necessariamente boa nem ruim, pois vai depender de como a mulher encara a possibilidade de trabalhar como uma liberdade adquirida, compreendendo que liberdade requer escolha, e escolhas requerem perdas. Isto indica que o ajustamento de funções é estritamente necessário. A Bíblia menciona Dorcas, que continuamente praticava ações de bondade e caridade (At 9: 36-39) e certamente era uma profissional competente e fiel, sendo assim registrada sua história.

É nesta sociedade em mutação que encontramos a mulher cristã. Sendo uma seguidora da verdadeira Palavra, é imprescindível que Cristo esteja em primeiro lugar (Mt 6.33). Se esta relação (DEUS X Mulher) for prioridade, todas as outras coisas se adaptarão e se desenvolverão com sabedoria e graça.

Angela Cristina Hammann

terça-feira, 28 de abril de 2009

Encomenda


Por: Cecilia Meireles

Desejo uma fotografia
como esta — o senhor vê? — como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.


domingo, 19 de abril de 2009

A Organização da Igreja

Por Constantino ferreira

Deus não é de confusão, mas de ordem. Temos um maravilhoso exemplo no universo. Tudo obedece a normas estabelecidas pelo Criador. Não haveria de ser diferente na sua nova criação, a Igreja. Todavia, Jesus não fundou uma organização eclesiástica. Ele criou um organismo vivo, com a Sua presença, em obediência a princípios divinos, a fim de prevalecer sobre o império das trevas e da maldade.


Com o crescimento da Igreja fez-se sentir a necessidade de recrutar pessoas dedicadas para ajudarem nas tarefas espirituais e sociais da mesma. E onde há pessoas servindo deve haver quem as lidere, para que o seu serviço seja harmonioso e sem atropelos. Isto é, cada grupo de serviço deve possuir a sua liderança, por sua vez também sujeita a uma liderança superior, que culmina no Senhor Jesus, o supremo Líder (cf. 1 Co. 12.28).

O primeiro exemplo de organização foi dado pelos conselhos de Jetro, o sogro de Moisés, a fim de aliviá-lo da pesada carga que sozinho suportava na liderança do povo (Êx. 18.20,22). O segundo exemplo, embora visasse exclusivamente facilitar a distribuição dos pães e dos peixes, é dado pelos relatos de Marcos e Lucas: (Mc. 6.39,40 e Lc. 9.13-15). Ambos ordenaram grupos para haver melhor liderança. Há, todavia, uma condição imposta por Jesus, o supremo líder: Os primeiros serão servos de todos (Mc. 9.35). Pois, quem não vive para servir não serve para viver.

Os apóstolos fizeram eleger uma equipa de ajudantes que aliviassem a sua tarefa (At. 6.2-4). Eles deviam dedicar-se primariamente ao estudo da Palavra e à oração. Mais tarde foram eleitos presbíteros em cada igreja para que cuidassem do rebanho enquanto os apóstolos viajavam na sua missão (At. 14.23). Paulo aconselhou a Tito para que em cada cidade estabelecesse presbíteros capazes, com formação moral, social e teológica, a fim de cuidarem do povo do Senhor (Tt. 1.5-9).

O relacionamento das igrejas locais foi sempre de cooperação (Rm. 15.26,27; 2 Co. 8.4; 2 Co. 11.8; Fl. 2.25). Jamais alguém deverá dizer: “Não preciso de ti” porque todos os membros são necessários ao corpo (1 Co. 12.20-22).

O FUTURO DA IGREJA

Quando chegar o tempo determinado a Igreja será chamada a encontrar-se com o seu Senhor nos ares, e ficará para sempre com Ele. Dele temos a promessa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas…vou preparar-vos lugar…virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo. 14.2,3). A confirmação foi dada pelos anjos que disseram: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há-de vir assim como para o céu o vistes ir” (At. 1.11).

Considerando esta realidade “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (Ap. 19.7). Porque “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim, estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts. 4.16,17).

À semelhança de Abraão esperamos “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb. 11.10). “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hb. 13.14). “A nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp. 3.20). Jesus mostrou a João esta cidade cujos fundamentos são pedras preciosas, as portas são doze pérolas, e a praça da cidade de ouro puro como vidro transparente (Ap. 21.19-21).

sábado, 11 de abril de 2009

Uma Mensagem do Pr. Samuel Camara para você...




Vitoriosos no Amor de Cristo!


Por: Prof. Israel Boniek Gonçalves
A formação de uma sociedade, é um processo amplo, e envolve vários aspectos das relações humanas, gerando assim muitas teorias concernentes a chamada “evolução cultural e social”. Elas procuram descrever como culturas e povos se desenvolveram e interagiram através do tempo. Embora tais teorias tipicamente forneçam apenas modelos para esta compreensão, os valores de uma sociedade e suas influências são notáveis e sofreram mudanças com o tempo.

A novidade hodierna, em relação as sociedades antigas, fica por conta do novo conceito social entitulado de "aldeia global", criado pelo sociologo canadense Marshall McLuhan. Segundo este conceito, a facilidade de comunicação e a lógica cambial e mercantil reduziu todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia.Ou seja, os padrões sociais são facilmente difundidos, e pela primeira vez na história as atitudes humanas locais podem atingir proporções globais em poucos instantes, difente de tempos passados, em qua nações guerreavam contra as outras e seus efeitos não eram perceptiveis nem em povos vizinhos.

Com o paradigma da aldeia global, os meios de comunicação em massa tornaram-se grandes formadores de conceitos, regendo assim, principalmente no mundo ocidental a gama de princípios morais e éticos que envolvem a vida dos homens.

Essa profunda interligação entre as regiões do globo originou uma poderosa teia de dependências mútuas, promovendo o pensamento humano e seus ideais, por toda a Terra.

A relação: Social-Religiosa na modernidade

A interação entre religião e a cultura dos povos tem sido objeto de estudos e pesquisa já por séculos. No caso particular da fé cristã, esta foi à força formadora de culturas inteiras. Hoje, certamente estamos vivendo uma crise de identidade cristã, provocada pelas mudanças propostas pela modernidade. Primeiramente com o Renascimento e depois com o Iluminismo, vimos às marcas do humanismo cada vez mais individualizado e da substituição da figura de Deus pela figura do homem, ou seja, o homem é o centro do universo, exaltando o racionalismo, o otimismo cultural e a nova regra ontológica de verdade, ou seja, a “Ciência”. Neste âmbito é reafirmado “o homem como medida de todas as coisas” como disse o sofista Protágoras.

Um combate!

Lutero diz que considerado em si mesmo, ou seja, sem o Espírito de Deus, o gênero humano é o reino do diabo, é um caos confuso de trevas e nenhum esforço humano poderá salvar o homem, mas somente a graça e a misericórdia de Deus. Segundo Urbano Zilles, historiador das religiões, a filosofia moderna substitui o tema de Deus, central na filosofia medieval pelo tema homem. Com Descartes, realiza-se um retorno ao modo de filosofar dos antigos filósofos gregos, que ignoram qualquer revelação divina e investigam a realidade do mundo só pela luz natural da razão. Segundo o poeta alemão Goethe, ”A história é combate entre a fé e a incredulidade”

O verdadeiro valor!

Quanto à importância do cristianismo para a formação de uma sociedade, esta pode ser percebida ao observarmos o que ela tem de melhor, quando o testemunho cristão é solidificado na prática pelos seus seguidores, toda a comunidade é beneficiada.

As relações familiares são pautadas pelo Novo Mandamento (Kainê entolê Jo 13,34) que integra todos os tipos de pessoas que se dispõem a amar.

A comunidade social é onde pessoas de origem diversa, de idioma diferente e de cultura própria se integram dentro de uma mesma perspectiva, de uma única linguagem que é a do Espírito Santo (At 2,42-46).

Um Novo Mandamento abarca todas as criaturas, de todas as raças e de todas as proveniências. O caráter e adesão por amor estão acima de qualquer outro conceito.

A opção pelo amor fraterno implica diretamente numa outra opção que é a rejeição ao mal (lJo 1,5-2,28). É passar da treva do mal para a luz verdadeira que é o próprio Cristo.

Acreditar no amor é viver na dimensão de uma nova realidade construtiva, dinâmica que é capaz restabelecer a Luz entre os irmãos.

O amor na nova família é diferente do amor mundano. Nele, os pais têm a responsabilidade primeira, pois a doação deles aos filhos quando pequenos precisa ser a mesma quando estes já cresceram e se tornaram jovens.

Contudo, nas famílias cristãs, além dos aspectos sócio-econômicos há uma preocupação com os valores morais e espirituais, a fim de que a felicidade encontre eco nos corações dos seus moradores.

O princípio cristão é: O amor vence o ódio, e a Palavra de Deus torna seus filhos e filhas vitoriosos.

Prof. Israel Boniek
Diretor pedagógico FAEST

sábado, 4 de abril de 2009

PESCANDO ADOLESCENTES


Por Angela Hammann

Quem observa a tranqüilidade de um barco ao mar e o som do vento a bater na linha de um anzol não imagina a rotina exaustiva e arriscada que os pescadores enfrentam. Antes mesmo de o sol nascer, muitos já pegaram suas canoas ou barcos para se aventurarem em alto mar, mas a hora da volta para casa é uma incógnita a cada dia. Esta vida, regada de esforço, sacrifício e persistência tem chamado a atenção de inúmeros antropólogos e estudiosos na construção de pesquisas relacionadas ao ato de pescar. Cristo, o maior Mestre, utilizou-se da figura do pescador para dar ênfase a um chamado específico: o de pescar gente (Mt 4.19).

Evangelizar, discipular e educar adolescentes também faz parte deste chamado. A missão do educador, neste contexto, é promover uma prática educativa plena, tendo como propósito alcançar (pescar) a mente e o coração do adolescente através da palavra de Deus. Mas como ter êxito nesta “pesca”? Como levar os adolescentes a uma vida cristã saudável e produtiva?

Na verdade, ninguém sabe com precisão como pescar, ninguém além Daquele que criou os peixes. O aperfeiçoamento em uma pescaria, (ação pedagógica – ato de discipular/educar) só se dará através da prática. E o sucesso da prática nesta pescaria se dará se seguirmos os termos de Cristo.

O ensino de Cristo prezava pela totalidade do ser humano, primando por uma educação libertadora. Visava integrar o ser, valorizando-o como parte do todo e estimulando os pecadores a refletirem e a mudarem a sua postura baseados na fé.

Ao refletirmos sobre uma prática pedagógica que vise alcançar o adolescente como um todo, devemos observá-lo e entendê-lo em todo o seu contexto de vida, seja espiritual (o seu conhecimento sobre Deus) ou física (características de personalidade e contexto sócio - histórico). Nessa perspectiva, é possível compreender a adolescência como sendo constituída socialmente, a partir das necessidades sociais, econômicas, espirituais e das características que vão se constituindo no processo que chamamos de vida.

É importante ressaltar que esta visão e ação de Cristo não é comum a todos. Grande parte das linhas teóricas vigentes em nossa sociedade é pautada na generalização de estereótipos, enfatizando e destacando somente marcas ou características do corpo do adolescente, ignorando outros fatos, como a vida espiritual, que também fazem parte desta fase da vida.

Assim sendo, não existe uma prática padrão para pescarmos/discipularmos adolescentes, mas existem estratégias que podem ser consideradas como utilitárias para o crescimento do Reino de Deus. A estratégia de Cristo era relacionar a verdade com a vida e pregar a praticidade nos seus ensinamentos. Ele ensinava como viver uma vida com Deus.

Seguindo seu exemplo, a pescaria/discipulado de adolescentes deve ser relacionado com o cotidiano dos mesmos e produzir mudanças no seu estilo de vida. Para isso é necessário sentir as necessidades daqueles a quem desejamos discipular. Conversar, dialogar, ser amigo, “gastar tempo” ouvindo, são estratégias simples que dão ótimos resultados. Para Paulo Freire, é através das relações dialógicas, da conversa, da troca de idéias, que o sujeito, a saber os adolescentes, tem a possibilidade de sair do estágio de transição de consciência ingênua para o estabelecimento da consciência crítica sobre si e sobre a realidade, de forma a realizar intervenções sobre ela. Ou seja, ao participar ativamente da vida cristã, fazendo escolhas, expondo idéias e sonhos, estudando e estabelecendo relações com a Palavra, o adolescente assumirá o papel de um verdadeiro cristão e será um agente transformador da sociedade em que vive.


Angela Hammann
Pedagoga
Articulista deste Blog